quarta-feira, 29 de julho de 2009


Espetáculo FOTOMATON com a Alameda Cia. Teatral de Curitiba (PR). Texto de Gustavo Ott, direção de Max Reinert, atuação de Cristóvão de Oliveira e foto de Chico Nogueira.


GUSTAVO OTT (PENSAMENTOS)


1) Ott tem lido muito e reconhece a sua dívida a outros autores: "Pinter teve uma influência não só em meus textos, mas na minha percepção da arte e mesmo a minha dedicação à literatura. Foi uma influência pessoal, embora ele talvez nunca tenha notado que eu estivesse em suas aulas. Mas eu notei ele, e houve uma vez que eu me peguei imitando ele , como ele andava, como ele falava, eu repetia as coisas que ele dizia como se fossem minhas idéias. Eu sempre tive uma relação especial com as obras de Borges. Borges me ajudou através do desvio da minha juventude literária, ele me lembrou que eu poderia me esconder atrás de todos os meus retratos o que eu queria fazer. E, finalmente, David Mamet. Depois de Pinter, Mamet era inevitável. A ida de Pinter a Mamet foi Mamet foi inevitável, Pinter marcou o que podemos chamar de meu crescimento pessoal e ético, Mamet foi um dos que me mostrou as delícias, o tormento, o gênio, da técnica. I memorizei suas peças, eu as traduzi para o espanhol, quando ninguém tinha ouvido falar delas, e por traduzir elas eu aprendi a sua astúcia, a sua ousadia, as suas totalmente novas contribuições. Ação, linguagem, ritmo, gírias. Meus primeiros desempenhos são fortemente influenciados pelo seu teatro”.

2) "Agora eu prefiro romancistas e poetas aos dramaturgos. Não posso ficar longe de autores como Coetzee, Jelinek, DeLillo, os chilenos Bolafios e Lemebel, e sobretudo o os dramaturgos ingleses Merber e Philip Ridley. E, evidentemente, os dramaturgos americanos, a partir de Kushner para McNally. A dramaturgia americano é o mais importante para mim, é como Florença durante o Renascimento. Eles estão todos lá: Rafael, Leonardo, Bernini ...."

3) Eu nunca penso em um ator especial para interpretar alguma coisa que eu escrevo, talvez porque eu levo o assunto mais a sério do que os personagens. Às vezes eu digo o contrário, para ser educado, mas entre nós, eu confesso que às vezes nem sequer penso na cena. Alguns diretores têm apontado para mim quase raivosamente, porque dizem que eu “esqueço” as limitações do espaço e jogo de lado as indicações cênicas. Isso sempre traz à mente uma cena que o chileno Marco Antonio de la Parra disse-me que começou: «Ato I - Cena I: uma manada de búfalos entra no palco. Eles são seguidos por um comboio fugitivo. Sob os cascos dos búfalos um menino chora. Pausa." Bem, isso para mim, hoje, é teatro. Se você quiser os búfalos e o comboio, vá lá. Mas eu vejo a situação em metáforas, metáforas do tema, uma poesia no drama a la TS Eliot.

4) Uma característica de Ott do teatro é a surpresa do final: "Eu trabalho muito mais nas últimas páginas. Nelas eu vejo a possibilidade de nos permitir excessos, para apresentar novos enigmas, para ousar transformar tudo. Isso é Coetzee, naturalmente. Mas, no meu caso, eu afastar até as últimas páginas o clímax, o segredo dramático, o desenvolvimento da personagem, definindo a metáfora. A única coisa que eu não coloco nas últimas páginas é o fim. As últimas páginas não são os momentos finais, eles estão em todos os momentos de uma só vez. Dos momentos de memória e da memória das paisagens e até mesmo das idéias que, em alguns casos, nem sequer são teatrais ou não podiam ser. Talvez porque as última páginas de uma peça são as últimas páginas do homem. Não é da vida, mas de vidas, o homem de muitas vidas humanas, essas vidas que se esgotam, mas nunca acabam. A tensão nas últimas páginas de um amor, uma vocação, uma amizade. Mas também as últimas páginas da decência ou da violência, a última páginas da aleatoriedade. Em suma, penso em todas as metáforas na últimas páginas de um país.”

GUSTAVO OTT NO CENA CONTEMPORÂNEA EM BRASÍLIA COM UM ESPETÁCULO



27 e 28/8 às 19h30, no Espaço Brasil Telecom29/8 às 20h, no Teatro Paulo Autran - SESC Taguatinga
Bandolero y Malasangre- Teatro San Martín de Caracas (Venezuela)
Na noite de ano novo de 1999, um funcionário do canil municipal faz aniversário e ganha de seu irmão um presente que o decepciona. Trata-se de um poema. Desiludido, começa a receber a visita de outros personagens estranhos, desde velhos amigos até cobradores, clientes, gente que quer se desfazer de um cachorro ou que procura por um, de maneira desesperada. Em tom de humor, somos levados a, numa noite de ano novo, compartilhar desde a solidariedade de um filho para com seu pai até a popular telenovela; desde as tragédias naturais até a insensibilidade de nossos habitantes e a inutilidade de nossas instituições.
Com David Villegas
Direção: Luis D. Gonzales
Desenho de luz: Martin Flores
Locução: Ruben Leon
Cenografía: Luis D. Gonzales
Trilha Sonora: Alfonso Ramirez
Figurino: David Villegas e Luis D. Gonzales
Assiste de Cena: Oscar Sojo
Assistente de Direção: Jennifer Morales
Produção: Textoteatro
Duração: 60 minutos
Não recomendada para menores de 12 anos
Apoio: Embaixada da Venezuela
*espetáculo falado em espanhol

GUSTAVO OTT


Sobre o autor


Gustavo Ott (Caracas, 1963) formou-se em Comunicação Social pela Universidade Católica Andrés Bello (UCAB, 1991). Participou do International Writing Program de la Universidad de Iowa em 1993 e da Residence Internationale Aux Recollets en Paris em 2006. Ganhou o Prêmio Internacional de Dramaturgia Tirso de Molina (1998, Espanha) por "80 Dientes, 4 Metros e 200 Kilos", o Prêmio Internacional Ricardo López Aranda (2003, Espanha) por "Tu Ternura Molotov", 2º colocado no Concurso Nacional de Criação Contemporânea e Dramaturgia Inovadora (Caracas, 2006) por "120 Vidas x Minuto", o Accesit Prêmio de Dramaturgia de Torreperogil (Espanha, 2007) por "Monstros no closet, Ogros embaixo da cama".Em 2002 e 2003 foi eleito para participar do programa "New Works Now!" do The Public Theater de Nueva York com "80 Dientes…" e "Dois Amores e Um Bicho" e também do Programa de Dramaturgia de La Mousson D'Ete na França e "La Mousson a Paris" da Comedie Française, dirigido por Michael Didym. Em ambas oportunidades com "Photomaton". Em 2005, foi apresentada de novo "Deux Amours..." no Studio de la Comedie Française, dirigida por Vicent Colin durante a Semaine de la Caraibe, organizada por José Pliya.Suas obras foram traduzidas ao Inglês, Italiano, Alemão, Francês, Russo, Checo, Português, Polaco, Húngaro, Japonês, Grego, Catalão, etc. Sua estréia pública foi com o grupo Textoteatro e a comédia "Divorciadas Evangélicas e Vegetarianas" (1989). A este sucesso, seguiram outras comédias "Apostando a Elisa" (1990) e "Céuzinho Lindo" (1990), peças onde já anunciava esse estilo "raro, divertido e cruel". Em 1992 inaugurou o Teatro San Martín de Caracas, instituição da qual dirige.Ott escreve para o grande público, mas constrói suas obras com formas complexas, como por exemplo "Querem-me Muito" (1993), duas histórias de amor de duas gerações distintas, armadas como quadros simétricos, "Linda Gatinha" (1992), estreada também nos Estados Unidos, "Nunca disse que era uma Menina Boa" (1992), outra de suas obras mais traduzidas e representadas, também produzida nos estados Unidos em 1997 e que toca no tema da violência juvenil.A Casa de América de Madrid editou em 2002 "Dois Amores e um Bicho", obra sobre o tema do ódio com a qual inaugura uma nova etapa em seu estilo dramatúrgico, com poucos vínculos com o que havia escrito até esse momento. "Dois Amores..." é imediatamente traduzida ao Inglês, Francês e Alemão, estreando em Caracas em 2004, dirigida pelo autor. Com o título "Deux Amours et une pettite bette" entreou em Lyon, França em dezembro de 2003.Suas peças já foram publicadas também na Espanha, França, Colômbia, México, Cuba e Venezuela. Em 2006, Dois Amores e Um Bicho foi apresentada em Curitiba/PR, pelo grupo ALAMEDA Cia. Teatral, participando do 2º Ciclo de Leituras Dramáticas – Autores Latinos, realizado pela Fundação Teatro Guaíra, contando com a presença de Gustavo Ott.Pela ocasião da estréia brasileira de Divorciadas, Evangélicas e Vegetarianas, o grupo pretende trazer o autor novamente ao Brasil, bem como levar o espetáculo para ser apresentado também em Caracas, Venezuela.

DIVORCIADAS, EVANGÉLICAS E VEGETARIANAS texto de Gustavo Ott montado em Salvador


Três mulheres diferentes em seus estilos de vida, personalidades e opiniões, mas com um ponto em comum: a necessidade de marcar um re-encontro com elas mesmas. Com muito bom humor, a peça do venezuelano Gustavo Ott entrou em cartaz em Salvador nesta que é a sétima montagem do Projeto 3 & Pronto. A direção de Fábio Espírito Santo (que também "brinca" com a luz) deixa as atrizes Iara Colina, Mariana Freire e Vivianne Laert correrem soltas na pele dessas mulheres cheias de vícios, deleites, angústias, compaixão, medos e anseios. Como o próprio título já sugere, a peça tem divertido mulheres - e homens também - com as peculiaridades de cada uma das personagens.Venha rir e comover-se com elas: hoje e amanhã - 20h.

GUSTAVO OTT


EL FUTURO IMBECIL


Gustavo Ott.

Se dice que antes el futuro era más sencillo. Hace apenas cien años no
tuvieron problemas para aventurarse a predecir, casi con exactitud, cómo
seria nuestra época. En 1895 la revista Ciencia Popular definió el Siglo
XX como "...de la información", mientras que los socialistas franceses
aseguraron que el dinero desaparecería sustituido por algo que llamaron, por
vez primera, ".. tarjetas de dinero o crédito" y que los ciudadanos que la
tuvieran serian tan felices que ni siquiera la utilizarían demasiado.
Por cierto, y según mi deuda con VISA, ese no es mi caso.
Porque antes el futuro era más sencillo. H. G .Wells vaticinó que habría
menos enfermedades y las casas serían más limpias porque los arquitectos
"harían finalmente las esquinas redondas, para poder barrer". Wells era un
entusiasta del futuro. Pensaba que, aunque veníamos de la era del bronce y
del hierro, el siglo XX sería "el del tiempo libre".
Era lógico que Wells estuviera tan contento y optimista. Le iba bien. Era
uno de los escritores más vendidos del momento. El fin del siglo 19 le
sorprendió joven, despierto y soñador. Para él, también el futuro era
sencillo.
Luego, como todos, envejeció. Llegó lúcido a los 70, pero la literatura
fantástica pasó a un notable ultimo puesto. De la mano de Joyce y Proust el
futuro se volvió un tanto más incierto. Wells comenzó a enfermarse, ya no le
pedían tantos autógrafos ni lo invitaban a tantas fiestas. Y en medio de las
celebraciones por los primeros 25 años del siglo XX, volvió a vaticinar el
siglo. Pero ahora, todo era distinto.
A los 70 años sentenció el siglo como "..el último de la vida del hombre".
La naturaleza colapsaría, habría tantos habitantes (50,000 millones se
atrevió a decir) que los continentes perecerían de hambre. Corrigió todas
sus profecías de treintañero y le auguró una vida corta y dilatada a la
literatura, la cual llegó a señalar como "inútil frente a la edad de las
cosas". En fin, que Wells, mientras más viejo se ponía, pensaba que el mundo
también y que con irse él, pues todo terminaría.
Está de más decir aquí que Wells se equivocó. No sólo el mundo no ha
colapsado -vaticinó que sería en la década de los 80 -conocidos como "los
años perdidos" entre otras cosas, por aburridos- sino que ahora el hombre
moderno vive mejor. Los habitantes del planeta siguen siendo los mismos
6.000 millones de hace treinta años y la población ni siquiera está
creciendo. Los desatinos de Wells terminaron como los de Shakespeare, mas
bien graciosos, misteriosas.
xxxx
Sin embargo, de todas sus coquetas maldiciones, una de ellas parece evidente
en la obra y el artista individual del nuevo siglo, cada vez más "inútil
frente a la edad de las cosas". Me refiero al papel de la obra creadora y
del perfil de escritor -y hasta de su pensamiento- que, inspirado en el
actual conflicto de Kosovo, me lleva a pensar que Wells, viejo y todo, no
estaba tan equivocado.
EL IMPERIO DE LA VELOCIDAD
La obra europea primero y latinoamericana después -imaginada a su imagen y
semejanza- se presenta desprovista de cualquier tentación de futuro y su
contenido, bastión de las ideas modernizadoras en un tiempo, se ha
convertido precisamente en la esencia de lo moderno, es decir, en imbécil.
Embriagados por su propia superficialidad, la obra de arte parece encadenada
a reacciones automáticas. Clonando a los medios de masas, copiándose en el
mercado, repitiendo lo mejor de sus clichés, parece más bien un frágil e
inútil florero de la intrascendencia y la nadería. Un florero que, ante
cualquier turbulencia, se despinta, amenazando con romperse ya no una vez,
sino cientos de veces. Esa es su cualidad y su truco: se hace y deshace,
promete y entra en crisis, otorga y usurpa de manera permanente, a
conveniencia. Quiero decir que, como sus antiguos impostores de la ideología
y ahora el mercado, el arte se ha vuelto populista.
Esta visión banalizadora parece el resultado de una urgencia en el presente
tan convulso, precipitado pero predecible, donde sólo la velocidad es
tangible. Esta urgencia traspasa la reflexión e imprime un tono esporádico
al pensamiento.
La velocidad impone realidades que no esperan, procesos que no aguardan. Nos
levantamos a la 6 a.m. en el sueño de la postmodernidad pera encontrarnos
violentamente al mediodía del deconstructivismo brutal. Segundos después
enfrentemos la edad media y luego , el futurismo de la post-tarde, el
trafico expresionista, la cena antigua y una noche con Internet. Ya no
veinticuatro horas sino ocho -mucho menos que eso- en una linealidad
intermitente que también avanza al revés. Es la cuenta atrás de
Baudrillard que nos remiten a ese reloj donde se van contando los miles de
millones de segundos que nos quedan ya no hasta la muerte, sino desde la
muerte hasta hoy. Como la Torre Eiffel o Trafalgar Square, que cuentan los
minutos hasta el fin del siglo que, finalmente lo explica y resume el
número cero .
Todo en una catarata de símbolos escalofriantes por pasajeros, símbolos
concatenados y rutinarios, inmensos pero pasivos. Símbolos sobrexpuestos,
desde los "mass media" hasta el intelectual de Le Monde, atrofiado por no
significar nada.
Tecnologías fragmentadas y reglas fragmentadas establecen ideales
fragmentados en individuos fragmentados que quizás desean vivir con otros
fragmentados también, pero su deseo es que se le deje solo, rotos en
todas sus piezas e incapaces de hacer y pensar a tiempo.
EL CREADOR Y EL PUBLICO QUE SE MERECE
Una despreocupación avanzada sobre el futuro y la compra de trascendencia
empaquetada ubica al consumidor de arte ya no solamente como receptor de
mensajes -todos sublimes, todos artísticos- sino más bien como un comprador
compulsivo a través de la adquisición del arsenal fetichista del arte o de
su lenguaje liberador -y hasta revolucionario.
Música clásica, bibliotecas perdidas, pequeños cafés con ambiente bohemio,
criticar a los medios de comunicación, escribir en servilletas, ser
antiyanqui , ir a los limites, Mozart , Shakespeare, Picasso. Todos en una
forma de utilización inteligente que ha pasado a ser la mejor manera de
liberarse, desde el yuppie Europeo que pide a gritos detener los giros del
marcado hasta el marginal latinoamericano sediento de justicia social. En
sus preocupaciones el valor de lo exterior no se discute .
Creadores y obras de artes como noticieros o periodistas. Seres cómodos con
respuestas automáticas y veloces al tema del amor, la soledad, Dios o la
muerte. Frases hechas, leit motiv, diferencias superficiales, repeticiones,
analogías banales, ausencia de lenguaje y lugares comunes se encargan de
establecer un metalenguaje comprensivo, siquiátrico, especie de terreno de
nadie donde nos hemos puesto de acuerdo para entendernos o por lo menos ,
pretender que lo hacemos : no decimos nada, mientras miramos hacia otro
lado. La crisis de Kosovo y la respuesta de intelectuales y creadores -
Handke incluso escribió una obra pro-serbia- es el mejor y actual de los
ejemplos.
Raul Alfonsín decía que "los vivas a la muerte son síntomas de sociedades
totalitarias". La frase es bella pero como todo lo hermoso, tiene mucho de
ingenuo. ¿No serán esos "vivas a la muerte" del autor pro-serbio o pro OTAN
europeo una forma radical, progresista, disidente y crítica de apreciar los
hechos contados por el héroe-idiota-clon de los medios?. Después de todo,
somos espectadores y artistas " muñeca de vudú" pinchada para que, en lo
mejor de nuestro conocimiento contemporáneo, es decir, la superchería,
accionemos remedando el dolor.
Un dolor que nos obliga a llorar casi siempre frente a los alumnos - o, si
tenemos suerte, en cámara- sobre los temas más irrelevantes relacionados con
la literatura y la obra creadora. Un llantén interminable que intenta
encontrar los responsables de las carencias del intelectual de hoy en casi
todos los protagonistas del mercadeo, politicas oficiales, prensa y en
especial en editoriales y revistas especializadas. Como Wells, el fin de una
época, la angustia milenarista, nos arrea hacia una percepción cómoda.
En la Argentina las nuevas generaciones de teatretros han sido borradas por
la generación anterior, anclada en los privilegios del poder. En España,
comenzar a escribir es todo un infierno, no hay dramaturgo de los mayores
que no niegue lo que se hace hoy y hasta lo que se hará mañana. Para Buero,
Gala y compañía, el teatro actual se va con ellos. En México han borrado
literalmente cualquier esfuerzo proveniente de los creadores nuevos. En
Venezuela, quiero decir de una buena vez, que eso no ha sido así. Aunque
hubo y hay intentos, el teatro de relevo, joven, como quieran, se sigue
desarrollando. En algunos casos, no sin cierta altanería, que, si bien fea,
por lo menos demuestra confianza en si mismo. Quiero decir que en algún
lado, hay grandeza. Nada menos
Esa grandeza permite que nuestra relación con la generación anterior y la
anterior a la anterior sea cordial. Permite que el nuevo teatro pueda
escribir mejores páginas sobre sus antecesores y sus influencias, e incluso,
estudiarla sin rubor. Le da espacio y peso literario a los que ya fueron,
porque al final de todas las cuentas, no hay figura literaria que no posea
escuela, que no deje alumnos, que no se vea en su relevo.
Sin la relación cordial, el pasado no nos interesaría . En el
enfrentamiento, simplemente sustituiríamos a Alvaro de Rosson, Alberto de
Paz, Santiago Magariños o Juana Sujo por algún francés, que son los que
menos de moda están. Invalidaríamos a Peterson, no nos emocionaría el TU de
Curiel, ni el sabio Calcaño, no respetaríamos al maestro Rial ni la leyenda
Giménez, no envidiaríamos al ultimo Santana o Chocrón, no temblaríamos
ante lo mejor de Cabrujas ni ante los títulos ya musicales de Chalbaud.
EL IMPERIO DEL MAL Y
EL ESTILO MACABRO LATINOAMERICANO
La velocidad impone estados de ánimos, caracteres, juicios y actitudes de
las que nos avergonzamos al cruzar la esquina. La rapidez banaliza nuestra
vida, triturándonos de intrascencendencia. En la lógica de los
acontecimientos perversos, pienso en la obra que indaga sobre la violencia,
esa que ofrece la resistencia suficiente a la superficie. Porque es en el
Mal donde los mecanismos de idiotización pierden el control.
El Mal posee una acepción pastoral, el Mal promete y cuando no satisface las
expectativas entonces es capaz de adelantar los extremos. Supervivencia y
conservación, pertenencia y pensamiento parecen obligarnos a entender la
violencia como héroe y el Mal como escudo. La crueldad -o su combate- nos
hace sentir que estamos vivos.
¿Qué sucederá cuando el Mal se deslastre de su rol sagrado?. La obra de
arte latinoamericana- -y quisiera decir que muy especialmente su dramaturgia
más no su pensamiento- ha encontrado en este tema un estilo poético hacia
lo macabro, una veta identificable en Sao Paolo, Rio, Ciudad de Mexico o
Caracas, sitios donde el desinterés patético por la vida encuentra
resonancias únicas frente al "politically correct' americano o a la
conspiración del consenso europeo.
Una ausencia de sensibilidad inexplicable en el concierto optimista del
primer Wells , la CEE o Wall Street . Desde Rubem Fonseca a Rodolfo
Santana, el ultimo Wells, el apocalíptico, el encabezado de errores, se nos
hace más propio y menos idiota por equivocado. Las palabras de la literatura
latinoamericana actual nos muestran una despreocupación aterradora por los
seres humanos que quizás en otros lugares lograron dejar a un lado con la II
Guerra o CNN pero que en nuestras ciudades es doctrina y acto de fe.
Hemos descanonizado el pasado sobre las aspiraciones del presente, hemos
abierto el envasado de la gran cultura y hemos vaciado también su contenido
hasta quedarnos con nada o casi nada. Latinoamérica parece encontrar en el
tema del Mal un nuevo y prolífico campo de resistencia, como lo hiciera en
su percepción de lo real el Boom de los 60. Es un estilo macabro,
impermeable al mundo desarrollado, a las consciencias light, a los
pronosticadores del futuro.
Sin embargo, en el terreno de esa latinoamerica -empeñada en el fracaso y
en desperdiciar todo el siglo XX- hay una convivencia entre el Mal y la
misma velocidad, ambos en una dinámica que nos hacen concebir la
trascendencia en la acción. La acción a la manera de la imagen y su despojo
ético. De nuevo, el Mal termina por expulsarnos a todos -todos Kosovares,
todos Serbios, pero todos latinos o hispanos- del otro lado del televisor
y nos posee no con su capacidad de seducción o belleza o sensualidad, sino
desarrollando lo que jamás pensamos que podría degenerar el Mal, es decir,
con lo mejor de la Europa post-violenta de hoy: su cretinismo.
El Mal llega entonces también a ser imbécil, en uno de las
transformaciones más espectaculares logradas jamás por las conductas y el
pensamiento humano. Es Fujimori retratado entre cadáveres, ondeando la
bandera peruana, con su chaleco antibalas y su radio ,recordándonos a los
héroes del cine. Fujimori y su Rambo-performance dan un sentido repugnante
pero interesante a las palabras de Leah Rabin cuando asesinaron a su esposo,
el primer ministro israelí. " el real enemigo de las ideas liberadoras,
son los medios. Su negocio es inventar una realidad a conveniencia,
producir una noticia, y convencernos de su verdad, de la manera que sea..."
Era lógico que Wells estuviera tan contento y optimista con el siglo XX.
Para él , también el futuro era sencillo. Entre nosotros, no lo estamos
tanto. Confieso que me gusta más la visión del ultimo Wells, quizás porque
lo veo más nuestro, más en español, hasta más macabro. Ese Wells incrédulo,
enemigo de los avances, de los rincones y las tarjetas de crédito. Alguien
me asegura que esa obra del Mal no gustará en Europa porque allí " no hay
pobres ni niños asesinos ni crímenes del corazón". El telediario aséptico,
cuando baja el raiting, saca de vez en cuando esa otra cara violenta de
Occidente.
En la paranoia de los mercados, los medios y las democracias
representativas, los índices de inflación y ahora el virus del fin de
siglo (Y2K), la obra de arte y el creador, el futuro no parece para nada
difícil. Ni siquiera peligroso. Quizás, el problema político y literario
del futuro es que se presenta como demasiado imbécil.
Gustavo Ott

O IMPÉRIO DO MAL E O ESTILO MACABRO LATINO-AMERICANO
Por Gustavo Ott
Tradução: Wellington Júnior
A velocidade impõe estados de ânimo, caráter, juízos e atitudes que nos envergonham de cruzar a esquina. A rapidez banaliza nossa vida. Na lógica dos acontecimentos perversos, penso na obra de arte que indaga sobre a violência, essa que oferece resistência suficiente na superfície. Porque é no mal onde os mecanismos de idiotização perdem o controle.
O mal pensa uma acepção pastoral, o mal promete e quando não satisfaz as expectativas então é capaz de ir a extremos. Sobrevivência e conservação, pertinência e pensamento parecem obrigatórios para entender a violência como herói e o mal como escudo. A crueldade – ou seu combate – nos fazem sentir que estamos vivos.
O que acontecerá quando o mal se separar de seu rol sagrado? A obra de arte latino-americana – e quero dizer mais especificamente sua dramaturgia, mas não seu pensamento – tem encontrado neste tema um estilo poético para o mal, uma corrente identificável em São Paulo, Rio de Janeiro, Caracas, Cidade do México, lugares onde o desinteresse patético pela vida se encontra de frente com o ‘politicamente correto’ americano e a conspiração do consenso europeu.
Temos descanonizado o passado sobre as aspirações do presente, temos aberto a embalagem da grande cultura e temos também esvaziado seu conteúdo até permanecermos com nada ou quase nada. A América Latina parece encontrar no tema do mal um novo e profícuo campo de resistência, como tinha feito em sua percepção do real no boom dos anos 60. É um estilo macabro, impermeável ao mundo desenvolvido, às consciências lights, às previsões do futuro.
Sem embargo, no terreno dessa América latina – empenhada no fracasso e no desperdício do século XX – há uma convivência entre o mal e a velocidade, ambos em uma dinâmica que nos fazem conceber a transcendência em ação. A ação na maneira da imagem e seu despojo ético. De novo, o mal termina por expulsar todos nós – sérvios, latinos – do outro lado da televisão e nos impõe não com sua capacidade de sedução ou beleza ou sensualidade, e sim desenvolvendo o que jamais pensamos que poderíamos degenerar o mal, ou seja, com o melhor da Europa pós-violenta de hoje: seu cretinismo.
O mal então chega tembém a ser imbecil, em uma de suas transformações mais espetaculares alcançadas jamais pelas condutas e pensamentos humanos. É Fujimori retratado entre cadáveres, balançando a bandeira peruana, com seu colete anti-balas e seu rádio, relembrando os heróis nos cinemas. Fujimori e seu Rambo-performance dão um sentindo repugnante, mas interessa as palavras de Leah Rabin quando assassinaram seu marido, o primeiro-ministro de Israel:
“os reais inimigos das idéias libertadoras são a mídia. Seu negócio é inventar uma realidade conveniente, produzir uma notícia, e nos convencer de sua verdade, de qualquer maneira ...”